A consciência salva!

“Muitas mulheres chegaram aqui queimadas ou com o corpo marcado por facadas.”

“Apanham dentro de casa, mas na frente da família está tudo bem. A sogra até elogia ‘que genro maravilhoso. Olha como ele é bom para mim!’”

“A aparência vai ficando debilitada, muitas perdem os dentes.”

Esses são alguns relatos de mulheres que trabalham em centros de assistência às vítimas de violência doméstica. Histórias que ficam guardadas em quatro paredes até que acabe a relação de poder do homem sobre a mulher tão difundida nos lares, nas comunidades e na cultura. Segundo a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Públicos e Privados, realizada pela Fundação Perseu Abramo, em 2010, uma em cada cinco mulheres já sofreu algum tipo de violência física ou verbal por parte de homens no Brasil. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no país, ocorre, em média, um feminicídio (morte de mulheres causada por violência) a cada uma hora e meia. O instituto também afirma que entre 2009 e 2011, mais de 17 mil mulheres foram assassinadas e que 29% dos feminicídios ocorreram na casa das vítimas.

A maioria das histórias trágicas começa com ciúmes “bobos” de namorados, controlando as roupas que a companheira “deve” vestir, o que faz durante o dia e com quem “pode” conversar. Pequenos comentários ou restrições, que no início parecem apenas um cuidado do parceiro, vão se agravando e afetando emocionalmente a mulher. Em algumas situações o homem começa a denigrir a imagem da companheira, humilhando-a com frases como “Mas você ainda não entendeu?”, “Você é uma burra mesmo?”, “Não serve para nada”, “Nossa, mas você é muito feia mesmo”, “Não sei com eu ainda estou contigo”, “Ninguém vai te querer”. A intenção é fazer com que ela se sinta menos inteligente, bonita, querida, leal e fazer com que a mulher perca, aos poucos, a autoestima.

Além disso, em muitas situações, ao mesmo tempo em que são xingadas, arrasadas pelas palavras do companheiro, elas são obrigadas a fazer sexo sem vontade, servindo, apenas, como um objeto para satisfazer os desejos do homem. Da primeira insistência a um estupro ou de um primeiro tapa a um soco, pode levar pouco tempo. Por isso, é importante que as mulheres prestem atenção nesses sinais de opressão e reajam. É fundamental se impor na relação para que o relacionamento não se torne doloroso e o parceiro não acredite que é superior e que pode mandar e maltratar a companheira. Se a mulher não conseguir melhorar a união, a solução é romper o vínculo para evitar uma vida de sofrimento e violências. Segundo uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, realizada em 2010, ocorrem cinco espancamentos a cada dois minutos no Brasil e 179 relatos de agressão por dia, conforme os dados fornecidos pelo Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, de janeiro a junho de 2015.

Para as mulheres que já estão sendo agredidas, o primeiro passo para sair dessa situação é perceber que estão sofrendo violência e denunciar à polícia. É importante que a vítima vá acompanhada por uma pessoa próxima para apoiar e passar segurança, pois na maioria dos casos, em consequência do stress que estão vivenciando, elas perdem a própria confiança. Quando ir à polícia, é indicado que a mulher vá na Delegacia da Mulher, que já possui estrutura e está preparada para lidar com casos de violência. Se a vítima só conseguir ir a uma delegacia comum é direito da mulher exigir falar com uma policial feminina, para que se sinta mais a vontade para relatar a sua condição.

A delegada Laura Lopes, que trabalha na Delegacia da Mulher de Porto Alegre, explica como acontece a denúncia: “A vítima faz a acusação e nós entramos com o pedido de medida protetiva para o Judiciário”. A medida protetiva é uma ordem de restrição encaminhada pela polícia ao Poder Judiciário para evitar que o acusado entre em contato com a vítima e não se aproxime da casa dela A medida acontece quando há algum risco de que o agressor possa violentar ainda mais a mulher e que ela possa estar correndo riscos de morte. O juiz tem até 48 horas para aprovar a Medida. A delegada também afirma que quando é necessário ter um laudo médico, o exame de corpo de delito é feito em um ambiente exclusivo para mulheres, a chamada sala lilás. “Nenhuma mulher fica na sala de espera com outros homens ou presos. Nós entendemos o momento de fragilidade delas e respeitamos a privacidade de cada uma”.

Depois de fazer o Boletim de Ocorrência, as mulheres são encaminhadas pela Delegacia para um centro de referência próximo a sua residência. A psicóloga Tereza Cristina Brucel, que participa do Feminino Coletivo Plural e trabalha no Centro de Referência para Mulheres Vítimas de Violência Patrícia Esber – Canoas/RS, conta que há uma equipe multidisciplinar com psicóloga, advogada, assistente social, coordenadora, e estagiarias de cada área que conversam com a mulher quando ela chega no centro. “A gente escuta a demanda dela, vê se ela corre risco de morte por conta do companheiro, se ele tem arma em casa e já tentou matá-la. Buscamos saber de que forma ela era agredida, o que ele falava, o que quebrava em casa, quais coisas tirou dela, o que impedia de fazer, como eram as agressões, enfim. Se faz uma escuta e a partir daí se cria um plano de atendimento. Perguntamos se ela tem uma família para onde possa ir e se as crianças também estão em risco”. Se a vítima não tiver parentes que possam auxiliá-la neste momento, elas são levadas até os familiares. Se a mulher não possuir assistência familiar, é encaminhada para um abrigo ou casa de passagem, onde ela ficará em segurança e receberá ajuda para retomar a sua vida. Estes locais, normalmente, são escondidos e as pessoas não têm acesso ao endereço, para evitar que algum agressor encontre sua ex-companheira. Segundo a psicóloga Tereza Cristina Brucel, as mulheres não saem do centro enquanto a equipe não tiver certeza que elas ficarão em segurança.

Alguns abrigos são exclusivos para mulheres e outros possuem estrutura para receber crianças também. A Casa Lilás em Porto Alegre é administrada pela Associação Cultural e Beneficiente Ilê Mulher e criada em 2009 após uma parceria com a Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Ela é um abrigo para mulheres, com filhos de até 12 anos, que estão vivendo ou correm o risco de viver situações de violência. A casa tem

capacidade para receber 30 pessoas e elas têm todo o suporte necessário. “É feito um trabalho educacional, porque há mulheres que ficaram tanto tempo isoladas que não sabem realizar tarefas básicas do dia a dia. Então, ensinamos a cuidar da casa, da higiene pessoal, dar banho nos filhos. Já teve gente que nunca tinha conhecido um banheiro e fazia as necessidades no chão. Nós buscamos entender a complexidade de cada caso e recuperar a dignidade das pessoas”, conta coordenadora do Ilê Mulher, Iara da Rosa.

Em 22 de setembro de 2006 entrou em vigor a Lei número 11,340, conhecida como Lei Maria da Penha após ser sancionada aprovada pelo Congresso Nacional e pelo presidente Luiz Inacio Lula da Silva. A Lei estabelece que os agressores de mulheres sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada. Eles também não poderão mais ser punidos com penas alternativas. A legislação ainda aumenta o tempo máximo de detenção de um para três anos e medidas que vão desde a remoção do agressor do domicílio à proibição de sua aproximação da mulher agredida.

A representante do Ministério Público e coordenadora nacional do Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos das Mulheres, Rúbia Abes, diz que apesar de ter aumentado o número de denúncias depois do surgimento da Lei Maria da Penha, as condenações ainda não são muitas. “A principal razão é a falta de sensibilidade dos técnicos que não valorizam os processos, porque pensam ‘elas sempre voltam para o agressor’. Mas voltam porque têm medo de sair de casa, ser acusada de abandono de lar e perder a guarda dos filhos. A falta de informação dos dois lados é uma grande inimiga”, conta Rúbia.

Entretanto as mulheres não precisam ter medo de perder a guarda dos filhos, pois a Lei Maria da Penha assegura que o agressor saia de casa e que a mãe fique com as crianças. Além disso, é responsabilidade do Ministério Público dar uma assistência às vítimas para que elas permaneçam em segurança e com todas as condições necessárias para recomeçar a vida.

passo a passo

Centro Estadual de Referência da Mulher

O Centro Estadual de Referência da Mulher (CRM) Vânia Araújo Machado, atualmente, é coordenado pela Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH) e presta atendimento às vítimas de violência doméstica. Ele é um intermediário na reinserção dessas mulheres na sociedade. Nos primeiros oito meses de 2015, o serviço atendeu 600 vítimas. Como acontece no Centro de Referência de Canoas, as profissionais realizam uma conversa com as vítimas e depois as encaminham para lugares que podem ajudá-las. Segundo a assistente social do CRM, Cecília Oliveira, quando se escuta as histórias não pode haver preconceitos ou julgamentos, porque muitas vezes a agressão já ocorre há muito tempo. “Cada caso é único, por mais que eu já tenha ouvido esse tipo história um milhão de vezes, aquela mulher está me contando pela primeira vez. Então, eu me esvazio e me entrego completamente ao relato para conseguir sentir as razões”, releva Cecília, que trabalha na área desde 2008. Ela ainda resumiu o sentimento da seguinte forma:

“Eu faço de tudo para as mulheres se sentirem acolhidas. Minha maior realização é vê-las reconstruindo as suas vidas sozinhas ou com novos companheiros. Eu gosto do que eu faço e acredito muito neste trabalho”.

Para a assistente social, a grande dificuldade é que o agressor é a pessoa que a mulher escolheu para dividir a vida, que ela já amou ou ainda ama e ele está nas relações sociais e familiares dela. “Não é como denunciar um estranho. É um processo demorado para perceber quando o companheiro deixou de ser o que era no início do namoro”. Além disso, Cecília lembra que existe uma cultura machista que obriga a mulher a se preparar para o casamento e fazer o que o homem quer para ser desejada por ele. “Isso vem desde criança, então precisamos romper com este ciclo, educando os meninos para não mandarem nas meninas e ensinando as gurias a jamais ‘baixarem a cabeça’ para alguém só porque é homem”.

O centro pode ser acessado presencialmente ou por telefone, o Tele Lilás.

serviço centro de ref

Centro de Referência de Canoas

Não é só na capital que as vítimas encontram acolhimento, o Centro de Referência para Mulheres Vítimas de Violência Patrícia Esber – Canoas/RS foi implantado a partir de um projeto do Coletivo Feminino Plural. Ele existe há 20 anos e foi desenvolvido por mulheres feministas ativistas que desejavam ajudar quem precisava. No início, as criadoras investiam o próprio dinheiro para manter o centro, mantendo a sala onde ele se encontrava. Com o passar do tempo, elas foram inscrevendo projetos em editais de prefeituras e ONGs e conseguindo financiamentos para desenvolver alguns projetos para ajudar as mulheres que sofrem violência. Atualmente, existe uma parceria com a prefeitura de Canoas e o trabalho exercido por elas é como uma rede. “A lógica é a mesma dos demais centros: as demandas são ouvidas, é traçado um plano de atendimento, as vítimas vão para um abrigo (se não tem família), procura-se um emprego para elas e os advogados cuidam das questões de separação e guarda dos filhos”.

A psicóloga Tereza Cristina Brucel, que trabalao no Centro, conta que há um perfil de mulheres que normalmente são agredidas. “A maioria é de classe média baixa, com pouca escolaridade, possui dois ou três filhos, recebem Bolsa Família e tem uma aparência física debilitada, inclusive muitas perderam os dentes”.

A confusão mental é outra característica das vítimas. Segundo a psicóloga, os companheiros passam a tentar enlouquecer a mulher com pequenas situações cotidianas. “Ela chega e deixa a chave em cima da mesa e os maridos tiram e colocam em outro lugar. E ela pensa ‘mas eu tinha certeza que eu tinha colocado isso aqui’. E também por conta da gravidade do risco que sofre, existe esse mecanismo que o inconsciente ‘lança mão’ para poder protegê-la de uma situação muito grave. Como no caso de mulheres que são estupradas ou forçadas a terem relação sexual no casamento sem querer. Elas precisam de alguma forma arrumar um jeito de suportar aquela situação para continuar na casa no outro dia. Porque muitas vezes elas permanecem por causa dos filhos ou porque não tem trabalho nem escolarização”. Assim, aos poucos elas vão perdendo a consciência da situação que estão vivendo.

Outro fator que acontece em uma relação abusiva é que o parceiro afasta a companheira da sua família e dos seus amigos para que ele se torne a única referência na vida da mulher. Conforme Tereza Cristina Brucel, as vítimas acabam ficando em uma espécie de cárcere privado psicológico, porque mesmo que a porta não esteja trancada a mulher não tem coragem de sair de casa por medo das consequências do agressor. “Elas ficam sem ter com quem contar, não podem falar para nenhuma amiga porque eles ameaçam matar os filhos ou a elas mesmas. Então elas vivem numa situação

tão estressante o dia inteiro que não tem como o pensamento ser linear, seguro, pois não conseguem mais ter certeza das coisas que faziam ao longo da vida. Também é um mecanismo que os homens usam pra manter as mulheres nessa situação. Porque elas chegam a ficar 10 anos sofrendo violência, até conseguirem denunciar”.

“Em momentos de desespero, é preciso olhar para si mesma, refletir, sair do mundo caótico e tentar analisar a relação de fora. Às vezes, a mulher está vivendo as situações mais absurdas sem perceber. Tem que haver um momento do dia para se olhar. A consciência salva!”

Além das orientações às mulheres, o grupo oferece capacitações para profissionais da saúde. “Muitas vezes, os médicos ficam medicando as pacientes para dor de cabeça, de estômago ou insônia, sem buscar a causa”, comenta a psicóloga. Dessa forma, a mulher continua com dor e ninguém descobre que o fator emocional é o causador das doenças. O centro também realiza atividades com crianças e adolescentes, como o projeto Pontos de cultura feminista – que leva hip hop, teatro, oficinas de audiovisual para jovens dos bairros Restinga e Centro – e a Escola Lilás, que prioriza a formação educativa.

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Você pode procurar ajuda no Centro de Referência de Canoas na Rua Siqueira Campos, 321.

Associação Cultural e Beneficente Ilê Mulher

A associação foi fundada em 6 de janeiro de 2000, com o objetivo de defender os direitos humanos e resgatar a auto-estima das mulheres em vulnerabilidade social. Em 2009, o Ilê Mulher assinou um convênio com a Prefeitura de Porto Alegre e passou a gerenciar a Casa Lilás. Ela é um abrigo para mulheres, com filhos de até 12 anos e tem capacidade para receber 30 pessoas.

Cada mulher é responsável por cuidar das próprias coisas, ou seja, elas arrumam o seu quarto e lavam as roupas dos filhos. A limpeza do banheiro é revezada entre elas. As crianças são encaminhadas para a escola e elas para um emprego. A associação mantém uma relação com os empregadores para saber como está o desempenho das novas contratadas. Faltas e atrasos devem ser avisados, a fim de desenvolver o senso de responsabilidade. Elas também recebem acompanhamento para a economia financeira porque como a maioria das mulheres nunca gerenciou o dinheiro da família, elas não sabem como administrar o salário.

“Normalmente, a situação está relacionada com a baixa escolaridade e gravidez precoce. Com a alta quantidade de filhos, torna-se difícil estudar ou trabalhar. Existe uma dependência financeira para comer”.

A Casa Lilás possui pedagogas, psicólogas, assistentes sociais, enfermeiros, nutricionistas e advogados. Na área da saúde, os principais atendimentos são para vacinas, cirurgias de laqueadura, tratamento de HIV e orientações para os casos de desnutrição. Todas as quintas-feiras, a equipe técnica se reúne para conversar sobre cada caso.

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Um dos principais projetos da associação é o Geração de Renda. Através dele, a entidade promove cursos de artesanato com matéria-prima reciclada, pano, papel e outros materiais. O objetivo é qualificar as mulheres para uma profissão. O Ilê Mulher também vem marcando presença no carnaval de Porto Alegre e de Arroio do Sal, no litoral norte do Estado. Com o Bloco Ilê Mulher, o objetivo é dar visibilidade às mulheres que trabalham no carnaval, mas não têm oportunidade de participar da festa popular. Além disso, é um momento para levar as pautas da associação ao conhecimento da sociedade em geral.

Você pode entrar em contato com a entidade através do e-mail contato@ilemulher.org.br.

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A Passagem de Luciana pela Casa Lilás

Luciana Kermer Gonçalves tem 31 anos, 5 filhos e passou 2 anos na Casa Lilás (entre 2010 e 2012). O marido dela era usuário de drogas e situações de violência verbal eram comuns na sua casa. Ele menosprezava a capacidade de Luciana e das crianças, além de vender os pertences da família para comprar as drogas. Os parentes dela não ajudaram, pois achavam que ela era culpada pelo o que acontecia. “Faz anos que eu não vejo os meus pais, eles nunca deram a mínima para mim. Também sofri preconceito por ser casada com um usuário de drogas. Ninguém entendia o que acontecia”, relata Luciana.

Como não tinha para onde ir, quando foi despejada de casa por não conseguir pagar o aluguel (o marido gastava tudo em drogas), ela foi morar na rua com os 5 filhos, sendo um deles cadeirante e uma bebê de 1 ano de idade. Ficou um mês e meio nessa situação, até que o centro educacional São João Calábria (que faz um trabalho com pessoas em vulnerabilidade social) a abordou e a levou para a Casa Lilás.

“Lá eu aprendi a me valorizar como mulher. Eu entendi que o mundo não acaba porque você sofre violência ou mora na rua. A vida continua e você precisa lutar para mudar a sua história. Eu ganhei auto-estima, porque na violência, você não recebe estímulo de ninguém. Eu me sentia um nada, só mais uma na multidão”.

Durante o tempo que ficou na instituição, Luciana não podia trabalhar, pois tinha que cuidar do filho deficiente, mas como recebia a pensão desse menino, ela juntou o dinheiro até conseguir comprar a casa própria. “Eu estava decidida a só sair dali para a minha casa. Ficaria o tempo que fosse preciso para alcançar o meu objetivo”. No abrigo, ela conta que o clima era de uma grande família e por ter ficado bastante tempo, ela também ajudava na recepção das mulheres recém-chegadas. “O contato com as outras meninas era confortante, uma dava apoio para a outra. Era uma corrente de força. As crianças sentem falta das gurias até hoje”. Os filhos também receberam assistência psicológica. Um deles começou a sofrer com crise de nervos e realizou um tratamento no hospital da PUC-RS. “Precisou até de remédios, mas agora está tudo bem”, afirma a mãe.

Hoje, Luciana vive em sua casa própria, os 4 filhos ficam na escola em tempo integral enquanto ela cuida do menino cadeirante. “Morar nessa casa é uma conquista minha e dos meus filhos. Nós somos vitoriosos, pois superamos todas as dificuldades e hoje temos o nosso lar com as nossas coisinhas”. A religião também tem um papel importante na vida dela. Luciana é evangélica e há 2 anos freqüenta a igreja regularmente. “Cada mulher precisa encontrar a sua fortaleza. A minha motivação é o bem estar dos meus filhos e a minha fé”.

Ouça a história de Luciana e da Casa Lilás de Porto Alegre no radiodocumentário Vulnerável.

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