Entrevistas

Tereza Cristina Brucel – Coletivo Feminino Plural

“Teve casos de mulheres que foram obrigadas a manter relações com animais e os maridos olhavam, chamavam outras pessoas pra olhar… Só que eu penso que qualquer violência é grave, mas esses são casos muito extremos, que chega a beirar a monstruosidade. Não dá pra dizer em são consciência que são pessoas loucas. Se eles fossem loucos eles fariam isso com qualquer pessoa, mas não, eles só fazem com essas pessoas especificamente.”

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Lívia de Souza – Assessora Jurídica da ONG Themis

“Acho que as pessoas terem conhecimento das leis muda muito. A lei Maria da Penha é uma mudança de paradigma de nossa sociedade, porque durante muito tempo as mulheres sofriam nos relacionamentos, apanhavam, eram abusadas e não faziam nada porque tinha aquela crença de que ‘briga de marido e mulher ninguém mete a colher’. Então uma mudança legal, uma mudança nas práticas afeta também. As mulheres começam a procurar o sistema de justiça porque acham resultado nisso.”

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Rosane de Oliveira – Delegada da Delegacia Da Mulher de Porto Alegre

“A Delegacia Especializada de Atendimento Para a Mulher (DEAM), ela tem – como o nome diz – um atendimento diferenciado dos outros órgãos policiais. Então, ela se sente mais acolhida dentro do plantão dentro da delegacia do que em outro distrito, onde ela pode relatar os acontecimentos com maior privacidade.”

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Babi Souza – Criadora do Vamos Juntas?

Reprodução Facebook

Reprodução Facebook

Foi em uma volta para casa à noite, cheia de medo e insegurança que nasceu o movimento Vamos juntas? No meio de uma praça escura em Porto Alegre, Babi Souza teve um insight e pensou que se as mulheres se unissem nas ruas se sentiriam muito mais seguras. De uma postagem despretensiosa em seu perfil no Facebook divulgando a ideia que teve, a uma página que alcançou mais de 230 mil curtidas foram dois meses de trabalho intenso e histórias que não a deixaram desistir de fazer o movimento crescer e atingir mais e mais meninas.

O movimento cresceu tão rapidamente que Babi tomou uma decisão que mudou a sua vida mais ainda: pedir demissão e viver de forma autônoma para conseguir fazer com que o movimento não parasse de crescer. Babi conta com três voluntárias (duas jornalistas e uma publicitária) que não deixam que Vamos juntas? morra. De forma colaborativa, o Vamos juntas? é mantido (página e grupos no Facebook) e está desenvolvendo um APP para facilitar o encontro de amigas nas ruas para idas e voltas mais tranquilas e seguras, em uma parceria com a empresa Thoughtworks. Além do APP, elas sentem que o movimento ainda tem muito a crescer e muitas meninas com quem interagir.

Consciência Salva – Como surgiu a ideia do Vamos juntas?

Babi – O movimento iniciou no dia 30 de julho. Sempre fui vista como uma jornalista idealista que tem o sonho de mudar o mundo, e realmente tenho. Acho que tenho a responsabilidade de “mudar” o MEU mundo e o mundo a minha volta, como acho que deveria pensar qualquer cidadão.

Nesse sentido, vinha pensando muito sobre a relevância que eu tinha como jornalista e cidadã. Comecei a estudar e pesquisar sobre colaborativismo e empreendedorismo social. Entrei em contato com a incrível ideia de que as pessoas têm o poder de melhorar as suas vidas através da união e que juntos podemos mais e somos mais felizes. A velha ideia de que a união faz a força e de que ao invés de reclamar, devemos nos propor, juntos, a deixar o nosso mundo um pouquinho melhor.

Como já estava em contato com essa forma de ver o mundo, o movimento surgiu como solução colaborativa para um problema real que as mulheres passam todos os dias: violência, insegurança e assédio. Tive o estalo no caminho de volta para casa (quando precisei caminhar pelo centro de Porto Alegre -) e junto com uma amiga fiz uma imagem explicando qual seria a ideia do movimento. O objetivo era postar apenas nas minhas redes sociais para contar a essa ideia para as minhas amigas. A repercussão foi tanta que precisei criar a página.

CS – Quem cuida da página?

B – Nesse momento eu cuido da página com a ajuda de três voluntárias que ajudam a administrar os grupos (temos um para cada região do país) e responder mensagens de meninas que contam suas histórias. Recebemos em média 80 mensagens por dia.

CS – O movimento tem o apoio dos homens? Como tem sido o diálogo nesse sentido? 

B – 2% dos nossos seguidores são homens. Muitos enviam mensagens parabenizando a página e agradecendo por sentirem que suas mães, irmãs e namoradas não estão sozinhas. Eu acredito muito que é uma boa ideia os homens participarem da página e acompanhar os relatos para que tenham uma conscientização sobre como a gente se sente nas ruas. Acho que é impossível resolver um problema de violência contra mulher trazendo para o diálogo apenas mulheres, por isso acho válida a participação deles.

CS – Você consegue traçar um perfil das mulheres que participam do movimento?

B – 48% são mulheres de 18 a 24 anos. Em breve divulgaremos o resultado de uma pesquisa de duas meninas do Recife que fizeram uma pesquisa sobre o público da página, ainda não posso divulgar.

CS – Qual a ideia do Vamos juntas?

B – Incentivar mulheres a andarem juntas para se sentirem mais seguras de violência . Além de ser um vamos juntas literal, acabou se tornando um movimento que leva a ideia do vamos juntas mudar a nossa realidade como mulher, sermos mais empoderadas e seguras.

CS – Como funciona a página?

B – A página recebe histórias de mulheres que colocaram a ideia em prática e que tiveram um “fim mais feliz” por isso. Elas enviam MUITAS mensagens de todos os cantos do país e uma vai inspirando a outra. Também temos usado esse espaço para trazer informações pápidas porém pertinentes com a relação a segurança da mulher, direito da mulher e emponderamento feminino.

O Vamos Juntas se tornou rapidamente um movimento com repercussão nacional e tem ajudado muitas mulheres. Vemos o feminismo atuando fortemente em várias frentes, mas a sororidade ainda é uma novidade.

CS – Como você vê a situação da mulher no Brasil hoje, faltam mais iniciativas como esta?

B – Acho que sororidade é mesmo a palavra de ordem do movimento. Para mim o diferencial do Vamos juntas? é justamente trazer essa perspectiva mais amorosa e esse olhar mais carinhoso pra mulher que está do lado. Acabamos trazendo muito a mensagem de empoderamento e a discussão sobre o nosso papel na sociedade, mas sempre dentro de um viés que entende que é a nossa união que vai fazer a mudança acontecer. Eu acredito muito que só o amor transforma e que a sororidade é uma ferramenta muito importante contra a sociedade machista.

 

Camila Fridman – Estudante

“Antes de entrar na faculdade, eu sabia que existia violência contra a mulher, eu sabia que era uma coisa bem frequente, mas era uma coisa que eu não tinha muito contato. Então achava que era uma coisa muito distante de mim.”

Confira a entrevista completa: